Milhares de muçulmanos preparam-se para celebrar fim do Ramadão
Milhares de muçulmanos estão em vésperas de celebrar o fim do Ramadão, quando for avistada a Lua Nova que marcará a conclusão do mês sagrado de jejum, considerado um dos cinco pilares do Islão.

Em declarações à Lusa, o imã da Mesquita Central de Lisboa, xeque David Munir, explicou que o Eid al-Fitr (celebração que marca o fim do jejum) pode acontecer no domingo ou na segunda-feira, dando início a um novo mês lunar islâmico — o Shawwal.
“Se a lua for visível ao pôr do sol [de hoje], o fim [do Ramadão] será no domingo. Caso a lua não seja visível [hoje], então na segunda-feira será de certeza”, indicou.
O avistamento da Lua Nova vai marcar o fim do Ramadão — 30 dias depois — durante o qual desde a puberdade os seguidores do islamismo — exceto os muito idosos, as grávidas ou menstruadas, os doentes e os viajantes — estão obrigados a não comer e beber entre o amanhecer e o anoitecer.
O jejum no nono mês do calendário muçulmano, baseado no ciclo lunar, sendo aquele em que os muçulmanos acreditam que, no ano de 610 depois de Cristo, o anjo Gabriel revelou o Corão (o livro sagrado do Islão) ao profeta Maomé.
A cumprirem ano islâmico de 1446, que começou em 7 de julho de 2024 e terminará em 25 de junho de 2025, os muçulmanos, aproveitam o mês do jejum para refletir.
“Basicamente, quebramos o jejum, as pessoas fazem as suas orações pedindo a Deus, ao Criador, tudo aquilo que foi feito durante o mês do Ramadão e que possamos manter este clima e esta solidariedade durante os 11 meses que vêm”, realçou o xeque Munir.
O imã da Mesquita Central de Lisboa referiu que “é muito mais fácil” perceber o fim do Ramadão num país islâmico, porque “a comunicação é oficial”.
“Quanto mais depressa soubermos, iremos anunciar o mais depressa possível para as pessoas se prepararem para o dia do Eid [al-Fitr], que é o dia de festa. Se não for no domingo, no dia 31 [segunda-feira] é de certeza”, vincou.
À Lusa, David Munir adiantou que estão previstas orações na Praça do Martim Moniz e na Alameda, em Lisboa, além das que são feitas todos os anos na Mesquita Central.
Durante o mês do Ramadão, a Mesquita Central de Lisboa confecionou cerca de 2.000 refeições diárias para a quebra do jejum, ao pôr-do-sol.
“Duas mil ou 2.100 refeições. Ao fim de semana vêm muitas mais pessoas quebrar o jejum. (…) Ao fim de semana as pessoas trazem crianças, os filhos. Não vem só o homem abrir o jejum, não vem só a mulher abrir o jejum. Vem os pais e os filhos”, salientou.
O facto de o ano lunar ser mais curto que o solar explica que a cada ano a data do Ramadão se aproxime do início do ano 10 ou 11 dias. Em 2030, o Ramadão será celebrado duas vezes, no início de janeiro e no final de dezembro.
“Em 2026, vamos começar em 19 ou 20 de fevereiro. Portanto, é normal que comecemos o Ramadão [no início] de 2030. E no fim de 2030 também iremos apanhar alguns de Ramadão. Não vão ser os 30 dias. O máximo 20 dias. Por exemplo, nós já comemorámos o mês do Ramadão em dezembro, em novembro, em outubro. Anualmente nós recuamos”, assinalou.
De acordo com o líder religioso, em Portugal, a comunidade muçulmana “já ultrapassou os 100 mil” crentes.
“Não tenho nenhuma prova científica, porque nós não temos censos (…), mas ultrapassa os 100 mil, à vontade, em todo país”, frisou.
JML (PAL)// CMP
By Impala News / Lusa
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