Presidente da RDCongo reuniu-se em Luanda com João Lourenço

O Presidente angolano, João Lourenço, recebeu hoje, em Luanda, o seu homólogo da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, três dias depois de anunciar que iria abandonar o papel de mediador no conflito que prossegue no leste da RDCongo.

Presidente da RDCongo reuniu-se em Luanda com João Lourenço

Segundo a agência de notícias angolana, Angop, que cita o ministro das Relações Exteriores, Téte António, os dois chefes de Estado reiteraram a boa relação entre os dois países e concordaram em manter “consultas regulares”, no âmbito da presidência rotativa da União Africana, atualmente assumida por Angola.

Na véspera do encontro, João Lourenço foi questionado, durante uma visita à Lunda Sul, sobre a decisão de abandonar a mediação do conflito entre a RDCongo e o movimento rebelde M23, afirmando que não foi “sinal de inimizade com absolutamente ninguém”.

No anúncio da decisão, segunda-feira, a presidência angolana justificou que pretendia concentrar-se nas prioridades definidas pela União Africana.

O fim da mediação angolana ocorreu depois de, na semana passada, os Presidentes da RDCongo e do Ruanda, Félix Tshisekedi e Paul Kagame, respetivamente, se reunirem em Doha com o emir do Qatar, para discutir o conflito que opõe as forças governamentais ao Movimento 23 de Março (M23), apoiado pelo Ruanda (segundo a ONU e países como os Estados Unidos, Alemanha e França).

Nesse mesmo dia 18 de março era esperada em Luanda uma primeira ronda de conversações entre o M23 e uma delegação da RDCongo, “ação abortada in extremis por um conjunto de fatores, entre eles alguns externos e estranhos ao processo africano que decorria”, segundo um comunicado da presidência angolana.

A surpresa face ao sucedido foi manifestada pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, citado pelo Jornal de Angola, que considerou que “todos os esforços para a resolução de conflitos são bem-vindos”, mas, observou, os problemas africanos deveriam ter solução africana.

A atividade armada do M23 – um grupo constituído principalmente por tutsis vítimas do genocídio ruandês de 1994 – recomeçou em novembro de 2021 com ataques contra o exército governamental no Kivu do Norte, tendo avançado em várias frentes e ameaçando escalar para uma guerra regional.

 

RCR // MLL

By Impala News / Lusa

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