EUA acusam China de ameaçar segurança regional com exercícios em torno de Taiwan

Os Estados Unidos acusaram a China de “pôr em perigo” a segurança regional, depois de Pequim ter prolongado as manobras militares em torno de Taiwan

EUA acusam China de ameaçar segurança regional com exercícios em torno de Taiwan

“Mais uma vez, as atividades militares agressivas e a retórica da China em relação a Taiwan só servem para exacerbar as tensões e pôr em perigo a segurança regional e a prosperidade global”, declarou na terça-feira à noite o Departamento de Estado norte-americano, em comunicado.

A Casa Branca reiterou “a oposição dos Estados Unidos a qualquer tentativa unilateral de alterar o ‘status quo’ pela força ou pela coerção”.

Também a União Europeia (UE) apelou à contenção.

“Apelamos a todas as partes para que deem provas de contenção e evitem qualquer ação que possa agravar as tensões”, declarou a porta-voz do serviço diplomático da UE, Anitta Hipper.

As Forças Armadas chinesas anunciaram que vão continuar hoje os exercícios militares no centro e sul do Estreito de Taiwan para “testar as capacidades das tropas”, no seguimento das manobras militares de terça-feira.

Os exercícios, designados “Straits Thunder-2025A”, centram-se em tarefas de “identificação e verificação”, “aviso e expulsão” e “interceção e detenção”, para “testar as capacidades das tropas” em domínios como “controlo aéreo, bloqueio e ataques de precisão contra alvos-chave”, afirmou, em comunicado, o porta-voz do Comando do Teatro de Operações Oriental do Exército de Libertação Popular, coronel Shi Yi.

Estes exercícios surgem poucos dias depois da deslocação à Ásia do secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, que declarou que Washington iria assegurar a “dissuasão” no Estreito de Taiwan, e de um discurso recente do líder de Taiwan, William Lai Ching-te, que classificou a China, pela primeira vez, como uma “força externa hostil”.

William Lai anunciou 17 medidas – incluindo o restabelecimento dos tribunais militares e uma análise rigorosa das visitas de cidadãos chineses a Taiwan – para contrariar o que descreveu como uma campanha de infiltração do Partido Comunista Chinês na ilha.

As decisões foram interpretadas por alguns analistas como uma mudança nas políticas defendidas pelo seu antecessor e uma tentativa de alterar o estatuto de Taiwan.

Na terça-feira, o Exército chinês publicou um vídeo que retrata o líder taiwanês como um inseto “parasita” a arder num braseiro.

A China também se opõe ao apoio de Washington, o principal fornecedor de armas de Taipé desde há décadas. Embora os Estados Unidos sejam legalmente obrigados a fornecer armas a Taiwan, há muito que Washington mantém uma “ambiguidade estratégica” sobre a sua intervenção em caso de ataque chinês.

Taiwan é governada de forma autónoma desde 1949 e possui o seu próprio exército e um sistema político, económico e social diferente do da República Popular da China, mas Pequim considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território.

A China intensificou nos últimos anos a pressão sobre o território, organizando com frequência exercícios militares de grande envergadura que simulam um bloqueio marítimo e aéreo da ilha.

O Ministério da Defesa de Taiwan confirmou a realização de novos exercícios hoje, sem fornecer mais pormenores.

Na terça-feira, a China mobilizou forças terrestres, navais e aéreas em torno da ilha para manobras que simulavam um bloqueio de “áreas-chave e vias marítimas”.

Em resposta, Taipé enviou os seus próprios aviões e navios, e colocou sistemas de mísseis sob alerta.

Os analistas acreditam que é mais provável que a China tente bloquear Taiwan do que lançar uma invasão em grande escala, o que seria mais arriscado e exigiria um destacamento militar maciço.

 

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By Impala News / Lusa

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