Deputado guineense denúncia utilização das Bijagós para tráfico internacional de droga
O deputado e antigo ministro da Guiné-Bissau Francisco Conduto de Pina denunciou hoje uma alegada utilização das ilhas Bijagós, de onde é natural, para tráfico internacional de droga por agentes de países latino-americanos.

Em declarações à Lusa, Conduto de Pina, várias vezes ministro do Turismo e da Cultura da Guiné-Bissau, afirmou que as autoridades do país “sabem que as ilhas Bijagós são utilizadas para esse fim”.
“Quem levanta voo da Venezuela para a Guiné-Bissau, [até] aos Bijagós, gasta cinco horas e 40 minutos, num voo transatlântico, nesses aviões que eles utilizam. Combinam com nacionais [que] sabem, por uma questão do GPS, dizem o sítio onde vão estar, chegam, lançam o que têm de lançar e depois voltam à origem”, afirmou o político.
Conduto de Pina tem liderado, desde meados dos anos 1990, um projeto que visa dotar o arquipélago dos Bijagós de autonomia administrativa e financeira, mecanismo a partir do qual acredita que aquela zona “poderá se livrar da má fama”.
“Fala-se bem e fala-se mal das Bijagós”, afirmou, referindo que a zona é falada “no bem” sobre a sua rica biodiversidade e a sua potencialidade turística, que salientou ser única na costa atlântica africana.
Quando o assunto é a droga ligada com a Guiné-Bissau, o deputado lamentou que as ilhas Bijagós é que sejam tidas como a principal referência no país.
“Na verdade, as ilhas Bijagós são utilizadas pelos malfeitores internacionais, em colaboração com alguns nacionais. Mas o Estado sabe disso”, declarou.
O deputado, dono de uma agência de viagens, explicou à Lusa como os traficantes internacionais, que operam em aviões provenientes do Brasil, Bolívia, Guiana Francesa e Venezuela, chegam às Bijagós.
De acordo com Conduto de Pina, a droga, embalada, é agora atada em bidões que são atirados ao mar em voos rasantes.
No passado, explicou, as embalagens da droga eram simplesmente atiradas ao mar.
“Outrora lançavam assim. Lembra-se da história da droga que foi parar à praia em Biombo? Era isso. Mas agora eles prendem, atam nos bidões a cento e tal metros e a pessoa já lá está, quem vai apanhar, apanha e, chega a hora, traz [a droga] para Bissau”, relatou o deputado.
Questionado sobre se não existe vigilância das autoridades, uma vez que afirma que sabem o que se passa, Contudo de Pina considerou que “as ilhas estão ao Deus dará”.
“Criaram uma casa, uma sede em Bubaque, da Polícia Judiciária, e que está fechada, cheia de capim. Lá vão as vacas, os bois, cabras, porcos”, notou, com desalento, o político, dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), atualmente na oposição.
Contudo de Pina lamentou que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) tenha financiado a construção da sede da Polícia Judiciária em Bubaque e que atualmente esta esteja abandonada.
“Fala-se no combate ao tráfico de droga” quando na Guiné-Bissau “muitos investidores andam na droga”, lamentou.
Ou seja, “enganam as pessoas que são investidores, mas andam na droga. As ilhas Bijagós estão cheias disso, não só de tráfico de droga, mas também de tráfico de seres humanos”, sublinhou Conduto de Pina.
O deputado alertou que “falta vontade política” na Guiné-Bissau para “um verdadeiro combate à droga”, nomeadamente no arquipélago das Bijagós, onde defendeu que meios tecnológicos poderiam “facilmente ajudar a combater o problema”.
A Lusa tentou obter reação da Polícia Judiciária, mas ainda não teve sucesso.
MB // MLL
By Impala News / Lusa
Siga a Impala no Instagram