Colômbia anuncia compra de caças suecos Gripen para substituir Kfir israelitas
O Presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou que a Colômbia vai equipar a sua força aérea com caças suecos Gripen, que irão substituir a frota de velhos caças israelitas Kfir, em fim de vida útil

Há vários anos que o mercado da defesa aérea colombiana suscitava o interesse de vários concorrentes, tendo sido a Suécia a vencer os caças franceses Rafale, fabricados pela Dassault, e os F-16 norte-americanos da General Dynamics.
A “frota de aviões a adquirir é inteiramente nova, de última geração, já operacional no Brasil, e é da marca Saab 39 Gripen”, anunciou esta quarta-feira o Presidente.
Petro recebeu a embaixadora sueca na Colômbia, Helena Storm, e o presidente da Saab AB, Micael Johansson, na Casa de Nariño, na quarta-feira, com vários dos seus ministros. Após a reunião, o Presidente fez o anúncio na rede social X.
O acordo foi alcançado após a receção de uma “carta de intenções assinada pelo Governo do Reino da Suécia”, acrescentou, sem especificar o número de aviões envolvidos ou o valor do contrato dos novos caças destinados à Força Aeroespacial Colombiana (FAC).
De acordo com a empresa sueca, “o Gripen é um caça interoperável e multifuncional, capaz de realizar com sucesso missões ar-ar e ar-terra, bem como funções especializadas de inteligência, vigilância e reconhecimento. O Gripen oferece um elevado desempenho em combate, é económico e tem uma pegada logística reduzida”.
No final de 2022, o Governo de Petro tinha manifestado interesse em adquirir 16 Rafale, com um custo de cerca de três mil milhões de dólares (2,75 mil milhões de euros).
Depois, porém, apenas “três ou quatro” foram mencionados, num contexto de críticas sobre o custo exorbitante da despesa, num país com desigualdades sociais gritantes, e nunca foi feita uma encomenda formal.
Na quarta-feira, Petro sublinhou que o Governo compensará as despesas com o reequipamento das FAC através de investimentos sociais nos departamentos mais pobres do país, com o apoio da Suécia.
Este apoio consiste na instalação de uma fábrica de painéis solares flexíveis de última geração no província caribenha de Córdoba (norte) e na “instalação de água potável em vários pontos do departamento de La Guajira (fronteira com a Venezuela)”.
Segundo o Presidente colombiano, “serão também restaurados e instalados equipamentos de tecnologia médica de última geração na torre central do hospital San Juan de Dios, em Bogotá”.
Quando era senador, Petro opunha-se a estes investimentos, mas mudou de opinião desde que chegou ao poder em 2022. Em dezembro desse ano, o Presidente manifestou a intenção de substituir os caças Kfir israelitas das FAC, porque estavam no fim da vida útil, considerando, na altura, que “era um perigo entrar nessas aeronaves”.
O chefe de Estado afirmou também, nessa ocasião, que a decisão estava ligada à intenção da Colômbia em reforçar as capacidades terrestres nas fronteiras.
Depois, em fevereiro de 2024, Petro garantiu que o país estava a suspender “todas as compras de armas a Israel”, em resposta a um ataque na Faixa de Gaza que matou mais de uma centena de pessoas e feriu outras 700.
As forças armadas colombianas mantiveram durante décadas Israel entre os fornecedores, principalmente de peças de reposição para os caças Kfir, adquiridos na década de 1980, período em que também chegaram ao país as metralhadoras ligeiras Galil, fabricadas na Colômbia sob licença israelita.
A Colômbia enfrenta a pior crise de segurança desde há uma década, com o recrudescimento da violência, causada por uma disputa pelo controlo do território por parte das guerrilhas ainda ativas no país, entre dissidentes da antiga guerrilha das FARC, rebeldes do ELN e outros cartéis ligados ao tráfico de droga.
A Colômbia é o primeiro produtor mundial de cocaína.
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By Impala News / Lusa
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