Turquia multa Meta por se recusar a restringir conteúdos no Facebook e Instagram

A empresa tecnológica norte-americana Meta disse que foi multada por resistir às exigências do Governo da Turquia para limitar o conteúdo publicado nas plataformas Facebook e Instagram

Turquia multa Meta por se recusar a restringir conteúdos no Facebook e Instagram

O Governo tem tentado restringir as vozes da oposição nas redes sociais depois de terem eclodido protestos, devido à detenção do autarca de Istambul, Ekrem Imamoglu, considerado o principal rival do Presidente Recep Tayyip Erdogan.

“Rejeitámos os pedidos do Governo turco para restringir conteúdo que é claramente de interesse público e fomos multados (…) como consequência”, disse a Meta, em comunicado.

A empresa não divulgou o valor da multa, exceto para dizer que era “substancial” e não forneceu mais detalhes sobre os conteúdos que a Turquia pretendia bloquear.

“Os pedidos do Governo para restringir o discurso online, juntamente com as ameaças de encerrar os serviços online, são severos e têm um efeito inibidor na capacidade das pessoas se expressarem”, disse Meta.

Nos últimos anos, o governo turco tem procurado controlar cada vez mais as empresas de redes sociais.

Quando os protestos eclodiram após a detenção de Imamoglu, a 19 de março, muitas plataformas de redes sociais, como a X, o Instagram e o Facebook, foram bloqueadas.

Mais de 700 contas na X, incluindo pertencentes a jornalistas, órgãos de comunicação social, organizações da sociedade civil e grupos de estudantes, foram bloqueadas, de acordo com a Media and Law Studies Association.

A X disse que iria contestar a decisão do Governo turco.

Dezenas de pessoas foram detidas por mensagens, consideradas de apoio aos protestos, que foram publicadas nas redes sociais.

Na quarta-feira, a emissora estatal turca TRT anunciou o despedimento da atriz Aybüke Pusat, que participou em “Teskilat”, uma popular série televisiva, por ter instigado um boicote contra o Governo, ao partilhar nas redes sociais uma série de mensagens da oposição.

Num comunicado, o diretor-geral do canal, Zahid Sobaci, declarou que o despedimento se deveu ao facto de as mensagens da atriz “não serem compatíveis com os princípios institucionais da TRT”.

“A pessoa em questão foi despedida da série devido a estas publicações, que desiludiram o público de ‘Teskilat'”, referiu Sobaci.

Os apelos ao boicote contra o governo aumentaram recentemente, na sequência da detenção de Imamoglu, e referiam-se inicialmente a empresas ligadas ao governo turco. 

No entanto, estas ações foram agora alargadas ao mundo das artes e à esfera cultural da Turquia.

O canal de televisão aproveitou a oportunidade para sublinhar que tais apelos são “divisionistas” e avisou que não hesitará em tomar medidas semelhantes no caso de novas mensagens deste género.

O Partido Republicano do Povo, na oposição, que escolheu Imamoglu como candidato às presidenciais previstas para 2028, apoiou o boicote e manifestou solidariedade para com a atriz.

 

VQ (JSD) // VQ

By Impala News / Lusa

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