China e Índia continuam a apostar em centrais elétricas a carvão — relatório

A construção de novas centrais elétricas a carvão atingiu o nível mais baixo em 20 anos em 2024, mas continua a ser impulsionada pela China e pela Índia, de acordo com um relatório

China e Índia continuam a apostar em centrais elétricas a carvão -- relatório

A potência das novas centrais foi de 44 gigawatts (GW) em 2024, o menor aumento desde 2004, quando foi de 37 GW, de acordo com um grupo de investigadores e organizações não-governamentais.

O pico do período foi atingido em 2015, com 107 GW de nova capacidade ligada à rede.

Mais de um terço da eletricidade mundial é gerada com recurso ao carvão, um dos principais contribuintes para o aquecimento global devido às emissões de dióxido de carbono.

Embora vários países tenham abandonado o carvão para produzir eletricidade, como o Reino Unido, que fechou a última central em 2024, o crescimento continua a ser impulsionado principalmente pela China e pela Índia.

No total, apenas oito países iniciaram a construção de novas centrais elétricas a carvão até 2024, observa o grupo, que inclui a organização Global Energy Monitor (GEM).

Entre eles, tanto a China como a Índia iniciaram a construção de mais centrais do que nunca.

Ainda assim, o número de novas licenças de construção concedidas na China caiu para o nível mais baixo em três anos.

Em 27 de março, o vice–ministro da Ecologia e Ambiente chinês anunciou, numa conferência internacional em Macau, que a China parou de construir novas centrais elétricas a carvão.

“Interrompemos completamente a construção de novas centrais elétricas a carvão”, disse Sun Jinlong.

A garantia de Sun surgiu cerca de um mês depois de um relatório alertar que a China iniciou, em 2024, a construção das maiores centrais elétricas a carvão nos últimos dez anos, suscitando dúvidas sobre as metas ambientais do país.

Pequim iniciou a construção de unidades com capacidade conjunta de 94,5 gigawatts (GW), ou seja, 93% do total mundial, segundo um documento publicado pelo Centre for Research on Energy and Clean Air e pelo GEM.

A China é o maior emissor do mundo de gases com efeito de estufa, mas está também na vanguarda das energias renováveis. Em 2024, terá 356 GW de nova capacidade eólica e solar, 4,5 vezes mais do que a União Europeia, de acordo com dados oficiais.

Embora o carvão tenha servido como fonte de energia essencial na China durante décadas, o crescimento explosivo da capacidade eólica e solar nos últimos anos suscitou a esperança de que o país consiga afastar-se deste combustível fóssil altamente poluente. A China anunciou que pretende atingir a neutralidade carbónica até 2060.

“A rápida expansão das energias renováveis na China tem o potencial de remodelar o seu sistema elétrico, mas esta oportunidade é prejudicada pela expansão simultânea em grande escala da energia a carvão”, afirmou Qi Qin, principal autor do relatório.

VQ (JPI) //

By Impala News / Lusa

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